domingo, abril 18, 2010

DAS AMIZADES QUE CONSTROEM

 

Das amizades que constroem, quero falar de Lurdinha, amiga da minha alma, excepcional em sua generosidade. Ensinou-me  assim, despretenciosamente a fazer "charutinho de repolho", aquele prato árabe que utiliza folhas tenras de uva ( IABRAA) no lugar das folhas de repolho para se enrolar o recheio. Bem, certa vez, contou-me que quando recebia a visita de uma irmã, elas faziam o tal charutinho e passavam o dia inteiro entre conversas e saboreando os charutinhos. Não era uma refeição só, assim, num repente. Ela acontecia no decorrer do dia e das conversas. Então aprendi a poesia do charutinho de repolho. Contando pra mim, eu conseguia vislumbrar o carinho fraterno; a irmã não encontrava pronto; punham-se as duas na feitura e na prosa carregada de novidades, emoções, lembranças. Nunca eu os houvera feito. E começou assim, minha vontade de fazer os benditos charutinhos. Bem, para fazê-los vou em busca de um repolho de tamanho médio,que possua as folhas bem verdinhas e necessáriamente tenho que sentir que delas sairá lindos charutinhos. Gosto deles pequenos, elegantes. Na feitura, preciso é de uma panela com água fervente e que ele caiba  inteiro. Antes de mergulhá-lo naquela água, faço uma incisão com uma faquinha de mesa, ao redor do talo e vou contornando-o profundamente. Isto se faz necessário para que as folhas desprendam-se facilmente, sem rasgá-las. Coloco o repolho na água fervente e deixo-o ali com a parte do talo virada para o fundo da panela por uns momentos. Veja bem: não é para cozinhá-lo. É só um tempo suficiente para que as folhas aquecidas se soltem facilmente do repolho e adquirem maleabilidade no manuseio. Bem, retiro a folha com cuidado para não rasgá-la e com aquela faquinha então, corto um pouco por cima, aquele talo da folha. Corto de maneira que não fique aquela saliência alta. Isso fará com que a folha se dobre com facilidade. Chegou a hora de recheá-los. O recheio tem que ter perfume de hortelã, limão, cebola picadinha, pimenata síria. Humm! O cheirinho leve da canela que esta pimenta tem é delicioso. Coloco neste tempero a carne moída e arroz cru. Misturo bem para que os sabores se agreguem. Agora sim, a poesia vai se completar. Coloco o recheio na folha e com todo amor, carinho e delicadeza, começo a enrolá-lo, dobrando as laterais para dentro. Pronto! Ele fica lindo! Perfeito! Então, arrumo-os um ao lado do outro na panela, bem juntinhos, apertadinhos. Cubro-os com um delicioso refogado de tomates com cebola, alho e azeite. Vou fazendo as camadas de charutinhos e molho. Há mil variações. Eu prefiro esta que assimilei de minha amiga Lurdinha. Acredite, quando eu os faço, sinto verdadeiramente o  amor e a poesia se fundirem numa inebriante e saborosa alquimia culinária com perfume de hortelã e canela. Na cozinha, com amor, acontece a verdadeira alquimia. Escrevi isso porque descobri que minha filha Raïssa disse que adora os charutinhos. Ps: a foto não é  minha. Acesse tbém: http://casatorta.wordpress.com/2008/03/05charutos de repolho.

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